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segunda-feira, junho 22, 2015

Não consigo

Assim comecei a escrever hoje no trabalho.
Tenho texto para passar para aqui mas de forma sucinta diz como não consigo manter a cabeça quando não consigo manter o dinheiro. Não preciso de ser rico...só não preciso de ser pobre, desta angústia que é a causa de tudo o resto: da desmoralização, da tristeza, da incerteza no futuro.
Não me consigo habituar a viver assim e por isso não me consigo habituar e acreditar nos projectos, nas ideias que me parecem furadas que me vendem todos os dias. Não consigo sentar-me naquela cadeira e trabalhar, cumprir com os mínimos, bolas quais minimos, ser profissional como sempre fui.
Desde 2008 em queda, em desgraça profissional. E não consigo inverter essa tendência.
Não quero ser contabilista, mas também não consigo já ser mais nada. Entre medo, muito medo e contingências da vida, umas por mim criadas, outras por mim merecidas, pareço ter perdido o rumo, o controlo da minha vida profissional, no fundo aquela que sempre me permitiu ter a pessoal.
Do passado (e futuro) ficam os meus dois filhos e é por eles que tenho de me reencontrar, mas é tão dificil quando deixamos de acreditar, de viver um projecto. Nunca me imaginei uma pessoa de projectos, mas se calhar sou, ou se calhar não quero ficar tempo suficiente para ficar "dono" do projecto.
Se calhar é tudo, medo, incompetência, falta de dinheiro e como combato isso?
Como combato isso sem sentir que a vida desaba. Sem sentir que fico sozinho se tentar combater uma destas razões? Não digo apenas sozinho no dia-a-dia, para isso há a habituação, mas sozinho nas crenças, nas certezas e na esperança.
Não consigo.
E quando não consigo só me resta passar o testemunho e tentar seguir a minha vida.
Se calhar por ser fraco ainda estou numa casa alugada....se fosse forte assumia o erro de cálculo e dava um, dois, três passos atrás para voltar a caminhar em frente, lento mas mais firme.
E com isto volto ao mesmo....sinto que se esgota em mim aquele sítio de vistas deslumbrantes, pessoas (poucas, diga-se) cativantes e de muitas promessas perdidas.

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