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segunda-feira, março 15, 2021

O menino E

Aos dez anos temos uma perspectiva de vida que nos é dada pelos nossos pais, pelas pessoas que nos rodeiam. E aos dez anos a minha perspectiva mudou ao entrar para uma escola militar. Pude conhecer pessoas, crianças de várias zonas do país e de várias famílias e costumes.
Um deles dormia no beliche por cima de mim e era a imagem de um miúdo da província, desadaptado e que, por ser trapalhão ganhou uma alcunha que em nada reflecte o que se viria a tornar. O E era o atrofiado mas, de atrofiado nada tem. De cair do beliche a dormir a quase se afogar na piscina com água pela barriga tornou-se num excelente aluno e num grande desportista só pelo seu esforço e carolice. As coisas não pareciam sair de forma natural mas nada disso o impediu de desbloquear o corpo e a mente. O que é mais extraordinário nisso é a tragédia familiar que o rodeou desde que nasceu e apenas a avó se manteve como uma referência... Entre outras que deverão ter surgido, ele fez todo um caminho. De um génio da finança ou consultoria, saiu para ensinar os outros a serem melhores. Claro que há-de ganhar dinheiro com isso. E para alguns será até uma aldrabice mas, a verdade é que há muita gente que lhe agradece por dominar a sua mente e corpo. Para mim e olhando para ele via zoom aqui e ali, vê-se bem que é o mesmo menino de Almeirim que eu conheci há 33 anos. Um abraço para ti 41.

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