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quarta-feira, agosto 05, 2026

Duas e 40

E eu acordado, agarrado ao telemóvel, na busca de uma prova, uma evidência que possa fundamentar esta sensação de que não está tudo bem. Desesperado por uma mudança, uma saída...agarrado a cada palavra, de língua e consciência preparadas para desferir um golpe injusto.
Cansado, perdido, sem sono. 
Com raiva, com medo, com a certeza da incerteza.
Com a confirmação de que o importante não sou eu. Tudo confirmado na minha cabeça. 
No entanto, nada de mais normal. 
Mas eu não consigo lidar com esta normalidade, esta espécie de seita daquelas que vivem só para dentro. 
Estarei a ficar maluco?
Estarei a ficar finalmente descompensado?
Estará a passar a validade de uma relação porque um é doido e o outro apenas vê três pessoas na vida?
Seja lá o que for, daqui a bocado tenho um mês para fechar, médico para ir e de alguma forma passar um dia "normal".
Tanta dúvida, tanta vontade de não ter vontade.
Quero fumar, quero foder..
Quero chorar e celebrar.
Quero voltar a ser normal.
E no entanto, aqui estou ...a escrever em público numa anonimidade gritante.
Tão secreto quanto visível.
À espera de uma reacção, de um ricochete, de mais certezas que incertezas.
De mais sono que insónia.

Quero o meu eu de volta. Quero viver a minha infelicidade sem parecer.
Quero fazer um luto.
Quero deixar de ter responsabilidade, culpa.

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